18 de set de 2010

Raízes do apoio brasileiro ao Irã







Autor: Pedro paulo Rezende


Fonte:  Panorama Global 

Texto publicado na QUARTA-FEIRA, dia 21 DE ABRIL DE 2010



O apoio brasileiro ao Irã tem fortes raízes na preservação do programa nuclear nacional, por mais estranho que possa parecer. Antes de insistir na maior necessidade de diálogo com o regime teocrático de Teerã, o Itamaraty obteve indícios para desconfiar das boas intenções de parte do Clube Atômico - formado por Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França e República Popular da China. Por isso recusa-se a assinar o Protocolo Adicional ao Tratado de Não-Proliferação, que permite inspeções irrestritas e sem aviso prévio, às instalações nucleares. Os pontos principais, manifestos por diplomatas ligados ao chanceler Celso Amorim, seriam:

1. O Brasil é o único país que abriu mão constitucionalmente do uso militar da energia nuclear. Além disso, é signatário do TNP, do Tratado de Tlatelolco e do Acordo de Cooperação para o Desenvolvimento e a Aplicação dos Usos Pacíficos da Energia Nuclear entre o Brasil e a Argentina. Apesar disso, não recebe tratamento diferenciado nas inspeções. Pelo contrário. Alguns inspetores agiram de maneira invasiva em visitas à unidade de Resende;

2. Em sondagens, diplomatas de algumas nações do Clube Atômico insistiram que a posição brasileira de produzir seu próprio combustível nuclear é insensata sob o ponto de vista econômico. 

3. Os mesmos países que insistem no desmonte do programa nuclear brasileiro recusam-se a acatar os termos do TNP que determinam o fim dos arsenais atômicos. Ao mesmo tempo, também não permitem que inspecionem suas instalações.




O Brasil, e isso é posição de Estado desde o governo Fernando Henrique, considera que a aplicação do TNP é desigual. Entende que os países do Clube Atômico deveriam implementar uma política clara e inequívoca para o desmonte de seus arsenais antes de imporem restrições a países que se ateem a programas de uso pacífico da energia nuclear. Em particular, diplomatas reclamam que o objetivo das grandes potências é monopolizar a produção de combustível para reatores, deixando para o Terceiro Mundo, a produção de matéria-prima processada, o chamado yellow cake (óxido de urânio).

Desenvolvendo um programa próprio, a partir de tecnologia alemã da década de 1950, a CNEN, apoiada pela Marinha, desenvolveu um método economicamente viável para a produção de urânio enriquecido a até 3%, suficiente para alimentar reatores para geração de energia elétrica. Basicamente, usa ultracentrífugas de projeto nacional. A primeira geração, empregada em Aramar, no Estado de São Paulo, é mecânica. A segunda, eletromagnética, atraiu a atenção estrangeira para a Usina de Resende.





Para defender patrimônio intelectual brasileiro, a CNEN só aceitou inspeções da AIEA em Resende depois de impor condições. As comitivas só são recebidas depois de aviso prévio. Painéis de madeira são montados para impedir que se vejam as ultracentrífugas eletromagnéticas. A tubulação de entrada e saída permanece visível, para que fique clara a inexistência de desvios de combustível nuclear. Não há qualquer restrição de acesso aos estoques.

Essas medidas limitam o acesso à tecnologia, sem impedir a fiscalização dos fluxos e da produção, o que deveria ser suficiente para atender às exigências da AIEA. Apesar disso, um dos inspetores, de nacionalidade norte-americana, causou um sério incidente ao tentar espiar, nos estertores do governo Fernando Henrique, por baixo dos tapumes. Um físico da CNEN, que pratica artes marciais, impediu-o, pressionando sua cabeça contra o chão com o pé. A Agência Atômica estrilou. O governo brasileiro fez ouvidos moucos.




Onde entra o Irã na história? Bom, a república islâmica é signatária do Protocolo Adicional do TNP, aquele que permite inspeções irrestritas. Se Teerã, que permite a ação indiscriminada dos fiscais da AIEA, sofre sanções, seria questão de tempo sua aplicação contra nós, que condicionamos a ação das comitivas da Agência. Para o Itamaraty, e esse é um ponto diferencial entre governo e oposição no Brasil, antes de impor ações contra o regime dos aiatolás, deveriam ser esgotadas as tentativas de uma solução negociada. O chanceler Celso Amorim também considera necessária a comprovação de que o país asiático rompeu as regras do TNP e busca a produção de armas nucleares.

Para a oposição brasileira, as declarações do presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, deixam clara sua intenção de impor uma guerra de extermínio contra Israel. O Estado Judeu possui 200 ogivas nucleares e meios para lançá-las, embora não o admita publicamente, e não é signatário do TNP. Seria necessário deter o uso militar do programa nuclear iraniano de maneira a evitar um novo holocausto, que atingiria toda a Ásia Menor e parte da África e da Europa.




Os opositores consideram que o apoio irrestrito ao Irã contamina a justa posição brasileira de defesa de sua tecnologia nuclear, de uso pacífico. Lembram, também, de que já surgiram indícios de contravenções iranianas ao TNP, como a sonegação de uma unidade de enriquecimento aos inspetores da AIEA. Por último, reclamam, com boa dose de razão, do crescente endurecimento do regime islâmico, que, por semana, executa 15 opositores. Esses pontos foram destacados pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado (CRE), Eduardo Azeredo, que, em recente nota à imprensa, alertou para os riscos de isolamento internacional do Brasil.

O chanceler Celso Amorim, ao lado de seu colega turco, Ahmet Davutoğlu, insiste na necessidade de negociação entre o Clube Atômico e o Irã. Ambos propuseram trabalhar como fiéis garantes para 1.200 quilos de urânio enriquecido, a 2%, por Teerã. Coincidência ou não, o ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim, viajou hoje para a Europa. No roteiro, Paris, Roma e Ancara. É bom lembrar que o estoque necessitaria de proteção contra ações terroristas, que poderia incluir soldados brasileiros para dar um caráter multinacional ao destacamento de guarda.


Nosso Comentário:


Finalmente um texto que fala as coisas como estão na realidade, e não repete a velha manipulação da mídia complacente com os crimes ocidentais que vemos por ai.


Desde o inicio desta estória toda com o Irã que eu rebati muitas criticas com relação a este tema, sempre disse que hoje eles(AIEA) fazem isso com o Irã a mando dos grandes interesses dos países que ja possuem a bomba, alguns dos quais tem interesse no petróleo da região e essa manipulação é evidente, mas amanhã poderão virar os olhos para o nosso país, e esse é o risco que corremos se aceitamos calados estas manipulações que estão fazendo contra o Irã.


Dizem que no Ocidente que no Irã as mulheres sofrem e não tem liberdade para expor a própria opinião,  e que fraudaram as eleições... mas do aliado ocidental(USA) mais violento na região ninguém fala nada, estou falando da Arábia Saudita. Neste país as mulheres são ainda um objeto, o burkha é muito usado perdendo somente para o Afeganistão.Enquanto que no Irã as mulheres vão a Universidade, são médicas, filosofas e até políticas...


Tem ainda o caso de que qualquer tentativa de se dizer o que se pensa do governo monárquico do país é reprimida no sangue, não existe alguma justiça legal para todos, sendo que os membros do califado são imunes a quase todas as leis do país e podem ainda converter as penas recebidas pela justiça, ou seja, modificam a pena de prisão em pena de morte, e ainda aceitam as confissão sob tortura como validas, onde a blasfêmia e a "bruxaria" são ainda crimes e passíveis de pena de morte.
Enquanto isso no Irã existe a pena de morte assim como nos USA, segue um julgamento, nem que seja no estilo do que teve o Saddam(falso) mas tem um julgamento com provas e tudo mais, e os crimes e penas são previamente estabelecidas em lei, assim como nas nações ocidentais, e tem ainda a garantia de auxilio de um advogado.


Vendo os casos de fraude eleitoral no Irã, vemos que a mìdia se esquece de fazer comparações com os casos ocidentais, onde o mais famoso foi o caso de Bush filho contra o senhor Al Gore, aquela sim foi a maior fraude eleitoral do mundo, pois aconteceu na segunda maior democracia do mundo, os USA. A primeira democracia do mundo para muitos analistas é a Índia, devido à sua grande variedade religiosa cultural e populacional, que não tem equivalentes no resto do mundo. 


Isso tudo demonstra somente a intenção dos governos ocidentais de "demonizar" o Irã e seu governo, manipulando a mídia complacente com os interesses obscuros para se justificar mais uma guerra contra as "armas de destruição de massa" em uma espécie de Iraque-2.


Assim,  o Ocidente demonstra a todos que enquanto fala algo contra os outros, tenta esconder os que fazem os amiguinhos... isso sim é ser hipócrita de boca suja!!


O nosso ministério do exterior agindo assim em relação ao caso Irã, está agindo de forma preventiva em relação aos nossos interesses, o de ter e usar a energia nuclear para todos os fins que acharmos úteis para o  nosso desenvolvimento civil ou militar.


Fez um bom trabalho o Itamaraty e tenho certeza que continuará fazendo.


Valeu !!


Francoorp
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