6 de set de 2010

Reator brasileiro para radioisótopos deve entrar em operação em 2016

Finalmente o Brasil poderá ser finalmente independente na produção de Radio-Farmacologia... poderá pois tem ainda muito trabalho a ser feito.


Mas para mim estes passos são importantes, sempre verso o Futuro do nosso país e nosso povo, e a tecnologia nuclear é um destes passos.


Segue a matéria do G1, abraços do Francoorp.






Material é usado em medicina para diagnósticos e terapias.
Crise na importação de molibdênio canadense motiva projeto.


Autor: Mário Barra




O início das operações do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), complexo de produção de matéria-prima para uso em medicina, deverá acontecer em 2016. A previsão de data foi informada pelo coordenador técnico do projeto, José Augusto Perrotta, durante evento em São Paulo nesta quarta-feira (02).
Presente durante a comemoração dos 54 anos do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), o físico disse que o espaço será construído para gerar radioisótopos, vitais para a fabricação de remédios e marcadores radioativos usados no diagnóstico e tratamento de doenças como o câncer.

Anunciado em 2008, o reator será erguido no município paulista de Iperó e contará com recursos do Ministério de Ciência e Tecnologia, garantidos pelo ministro Sérgio Machado Rezende. O projeto custará, a princípio, US$ 500 milhões, mas ainda não consta do orçamento de 2010 do Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEM), responsável pelo reator.
“Estamos na parte de concepção, ainda precisamos providenciar um projeto básico [de engenharia], buscar licenciamentos ambientais e nucleares.” disse Perrotta. “Com recursos, o reator começaria atividades rotineiras em 2016.”
A oferta de radioisótopos está em crise no mundo desde a parada para reforma do reator da canadense MDS Nordion, que fornecia 40% de todo molibdênio ao mundo, inclusive ao Ipen. Este elemento químico se transforma em tecnécio, material que compõe a maioria dos exames de medicina nuclear disponíveis na atualidade.
O reator seria o primeiro brasileiro voltado exclusivamente para uso em medicina, indústria e pesquisas científicas, não sendo empregado na geração de energia nuclear. A ideia do CNEN é tentar garantir que o Brasil produza radioisótopos suficientes para atender à demanda nacional. O projeto também prevê enriquecimento de urânio, porém em porcentagem menor que a necessária para produção de bombas atômicas.

Aniversário
A comemoração dos 54 anos do Ipen contou com a inauguração de um espaço cultural, contando a história do prédio localizado na USP, em São Paulo. Conhecido antigamente como Instituto de Energia Atômica (IEA), o Ipen começou a produção rotineira de radioisótopos em 1963, usando material importado.
As pessoas vão para as clínicas de medicina nuclear e agradecem aos médicos, mas nunca citam o Ipen, que se sacrifica para fornecer os produtos no tempo certo.”
Afonso Rodrigues de Aquino, coordenador
de relações corporativas do Ipen
Entre as pesquisas desenvolvidas ao longo de mais de meio século, um dos destaques da exposição foi para o emprego de tecnologia nuclear em alimentos na década de 1990, fazendo com que os produtos durassem mais para consumo.
Para Afonso Rodrigues de Aquino, coordenador de relações corporativas do Ipen, acha que os feitos do instituto ainda são muito desconhecidos.
“As pessoas vão para as clínicas de medicina nuclear e agradecem aos médicos, mas nunca citam o Ipen, que se sacrifica para fornecer os produtos no tempo certo”, afirma Afonso. “O instituto desenvolve 98% de todos os radiofármacos usados no Brasil.”




Homenagem
Durante o evento, Laércio Antônio Vinhas, diretor de Radioproteção e Segurança Nuclear da CNEN, foi homenageado com o título de pesquisador emérito pelo Ipen.
Todos os licenciamentos para instalações nucleares no Brasil como reatores, prédios médicos e industriais que usem radiação e radioisótipos passam pela análise de equipe coordenada pelo físico.
“É muito gratificante ver o trabalho reconhecido, após 46 anos de trabalho na Comissão”, disse Laércio. O pesquisador acredita que o trabalho dos profissionais da área de energia nuclear ainda sofre pelo desconhecimento das pessoas de usos benéficos da tecnologia, como no caso da medicina. “Na energia nuclear, você não tem uma carreira, é uma saga, com uma série de barreiras e preconceitos a vencer.”





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